Selic: indicadores da semana impulsionam otimismo
Selic abre a semana sob holofotes enquanto bolsas globais avançam, embaladas pela expectativa de que o Federal Reserve reduza seus juros já em dezembro, cenário que eleva as apostas de corte também no Brasil nos primeiros meses de 2025.
Exterior puxa o ânimo dos investidores
A segunda-feira (24) começou com altas no MSCI Ásia-Pacífico e nos futuros do S&P 500, após declarações vistas como dovish de John Williams, presidente do Fed de Nova York. A probabilidade de afrouxamento monetário nos EUA saltou para mais de 70%, segundo monitoramento do CME. Apesar da volatilidade em Bitcoin e moedas emergentes, o pano de fundo mostra uma agenda robusta de dados internacionais — vendas no varejo, índice de preços ao produtor (IPP) e encomendas de bens duráveis — que pode confirmar a desaceleração da economia americana e reforçar a tese de juros mais baixos.
O alívio externo, no entanto, convive com riscos: a China dá sinais de desaceleração estrutural, a Europa ainda patina perto da estagnação e as tensões Rússia-Ucrânia mantêm o petróleo volátil. A semana será ainda mais sensível porque o feriado de Ação de Graças reduz a liquidez em Wall Street, ampliando o impacto de qualquer surpresa macroeconômica.
Para entender como as apostas de corte nos EUA mexem com ativos globais, confira a análise detalhada do Valor Econômico.
Agenda doméstica e o caminho da taxa básica
No Brasil, o Ibovespa corrigiu parte dos ganhos recentes após a sequência histórica de 15 altas seguidas, mas o foco volta a ser a bateria de indicadores locais: Relatório Bimestral, prévia da inflação (IPCA-15), dados de mercado de trabalho e falas de dirigentes do Banco Central. Se inflação e atividade vierem mais fracas, analistas enxergam espaço para que o Copom sinalize, já em dezembro, uma Selic abaixo dos 11,75% projetados para janeiro.
Imagem: Imagem ilustrativa
O desafio continua sendo fiscal. Mesmo com o bloqueio de despesas discricionárias reduzido para R$ 7,7 bilhões, o governo ainda depende de receitas não recorrentes para limitar o déficit a 0,25% do PIB em 2025. O quadro político também adiciona incerteza: a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro eleva o barulho antes das eleições municipais e dificulta a costura de consensos no Congresso, onde o Executivo enfrenta atritos após indicações ao STF.
Mercados iniciam a semana otimistas, mas a visibilidade permanece baixa. A reação aos dados de emprego e inflação será crucial para confirmar se o ciclo de cortes começará cedo. Continue acompanhando nossa editoria de notícias para entender como esses números impactam seus investimentos.
Crédito da imagem: Empiricus
Fonte: Empiricus