Terrorismo e crime organizado: PF condiciona apoio a PL
Terrorismo e crime organizado não devem ser tratados como a mesma coisa na lei, afirmou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, durante entrevista ao programa Canal Livre, exibido no domingo (23). Segundo ele, o projeto de lei (PL) Antiterrorismo só contará com o respaldo da PF se o Congresso mantiver essa distinção, já que o combate ao terrorismo é “atribuição exclusiva” da corporação.
PF defende separação clara na legislação
Gravada na quinta-feira (20), a entrevista reforçou a posição da instituição: misturar conceitos prejudicaria futuras investigações. “São fins e mecanismos distintos”, alertou Rodrigues ao recordar que o crime organizado possui dinâmica própria, diferente das ações terroristas. Caso o texto final respeite essa divisão, a PF se compromete a oferecer contribuições técnicas ao projeto.
O debate no Legislativo ganhou força após a recente entrega do parecer do relator. Para entender o contexto jurídico do PL, especialistas como os ouvidos pelo Valor Econômico apontam que a clareza conceitual reduz brechas para interpretações equivocadas nos tribunais.
Efetivo, tecnologia e operações no Rio
Rodrigues também comentou a Megaoperação Contenção, realizada em outubro nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. Para ele, ações pontuais só serão eficazes se acompanhadas da identificação de líderes criminosos e de coordenação entre forças de segurança. Hoje, a PF conta com menos de 13 mil policiais e cerca de 2 mil servidores administrativos.
Além de polícia judiciária, a corporação exerce funções administrativas, como emissão de passaportes, controle de CACs (caçadores, atiradores e colecionadores) e fiscalização de produtos químicos. “Nosso efetivo precisa crescer, mas também precisamos de tecnologia e investimentos que garantam qualidade operacional”, ressaltou.
O diretor defendeu aumentar não apenas a quantidade, mas a qualidade das operações, com foco em descapitalizar organizações criminosas. Ele ponderou que o uso de inteligência não impede ações enérgicas, caso seja necessário retomar territórios dominados por facções.
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Crédito da imagem: Infomoney
Fonte: Infomoney