Tarifas dos EUA: Lula busca suspensão, sanções seguem
Tarifas dos EUA contra produtos brasileiros podem ser aliviadas já em novembro, segundo o Itamaraty, mas o governo não espera que as sanções a autoridades nacionais caiam no mesmo ritmo.
Conversas reabertas após encontro em Washington
O chanceler Mauro Vieira se reuniu, na quinta-feira (data exata no original), com o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio. A conversa durou uma hora e resultou em um “marco geral” para retomar o diálogo comercial. Brasília enviou no dia 4 de novembro uma proposta sigilosa pedindo a suspensão temporária do tarifaço — sobretaxa de 50% que encarece itens como carne, café, suco de laranja e máquinas industriais.
Vieira estima que um entendimento provisório possa ser fechado ainda este mês, abrindo 90 dias para negociações mais amplas. O déficit comercial brasileiro com os EUA saltou de US$ 234 milhões em 2024 para US$ 1,7 bilhão apenas em outubro, o terceiro mês da sobretaxa. Nos dez primeiros meses de 2025, o rombo já soma US$ 6,8 bilhões.
O avanço é atribuído ao encontro de Luiz Inácio Lula da Silva com Donald Trump, há duas semanas, na Malásia, quando os presidentes decidiram destravar a agenda bilateral. Segundo o governo, a proposta brasileira também considera ampliar a lista de produtos isentos caso a suspensão total não seja aceita.
Sanções a autoridades devem resistir
Apesar do otimismo sobre as tarifas, Brasília admite que as sanções impostas a cidadãos brasileiros dificilmente serão revistas no curto prazo. Os Estados Unidos recorreram à Lei Global Magnitsky para congelar bens e restringir o acesso financeiro do ministro Alexandre de Moraes, de sua esposa e do Instituto Lex. Além disso, vistos de ministros do Supremo, do advogado-geral da União e do procurador-geral da República foram revogados.
Diplomatas avaliam que o governo Trump teria dificuldade política para justificar o recuo, já que as punições atendem a demandas da própria base eleitoral. Especialistas ouvidos pelo jornal Valor Econômico reforçam que a retirada de sanções costuma exigir “prova efetiva de mudança de comportamento”, algo que, na visão de Washington, ainda não ocorreu segundo análise publicada pelo Valor.
Além do impacto reputacional, as medidas bloqueiam o acesso dos sancionados ao sistema financeiro dos EUA e intimidam empresas americanas a manter qualquer relação comercial, elevando custos e incertezas.
O Planalto argumenta que, mesmo com o tarifaço, os EUA seguem em superávit no comércio bilateral, o que enfraqueceria a justificativa econômica das sobretaxas. A preocupação agora é evitar que o tema escale na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que investiga inclusive o uso do Pix como meio de pagamento instantâneo.
Resta saber se a pressão diplomática destravará um acordo capaz de poupar exportadores brasileiros sem aprofundar a tensão política. Para acompanhar as próximas etapas dessas negociações e outras análises sobre economia e viagens, visite nossa página inicial e fique por dentro das atualizações.
Crédito da imagem: Infomoney
Fonte: Infomoney