Banco Master: FGC terá maior resgate e custo repassado
Banco Master entra para a história ao provocar o maior acionamento já feito ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), um desembolso de R$ 41 bilhões que, segundo economistas, será diluído no retorno de aplicações como CDBs, poupança e letras de crédito.
Rombo recorde atinge 1,6 milhão de investidores
A liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central na semana passada abriu caminho para que 1,6 milhão de clientes do Master recebam até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, valor coberto pelo FGC. O montante necessário representa cerca de um terço do caixa do fundo, hoje em R$ 122 bilhões. Antes desse episódio, o maior socorro havia sido o do Banco Bamerindus, equivalente a R$ 19,6 bilhões em valores de hoje.
O prejuízo total, porém, vai além da conta do FGC. Investidores com posição superior à garantia ou em produtos não cobertos também amargam perdas, resultado de um esquema de CDBs que prometiam até 160% do CDI ao mesmo tempo em que o banco comprava ativos de alto risco e baixa liquidez.
Como o custo chega ao bolso do poupador
As instituições que integram o FGC recolhem cerca de 0,01% dos depósitos elegíveis para o fundo. Esse valor, ensinam especialistas, sai da remuneração do investidor. “O banco reduz um pouco o rendimento de cada aplicação para custear a contribuição”, explica Alexandre Chaia, professor do Insper. Assim, mesmo quem nunca investiu no Master verá reflexos indiretos, pois o sistema repassará gradualmente o desembolso extraordinário.
A pressão já faz grandes bancos — Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Santander — defenderem regras mais rígidas de acesso ao seguro. O Banco Central teme, entretanto, que mudanças bruscas afastem clientes de bancos médios e diminuam a concorrência.
Debate semelhante ocorreu após outras crises bancárias no exterior. Para acompanhar detalhes técnicos sobre a cobertura, consulte a página oficial do FGC, que reúne perguntas e respostas atualizadas.
Imagem: Getty Images via BBC
Regulação sob exame e possíveis ajustes
Para o ex-economista-chefe da Febraban Roberto Troster, sinais de alerta estavam presentes nos balanços do Master desde 2024. Ainda assim, ele elogia a intervenção por evitar contágio sistêmico e barrar a tentativa de fusão com o BRB. Chaia, por sua vez, defende que o foco seja restringir captações “irreais” de bancos pequenos, sem punir o investidor com cortes na garantia ou exclusão dos rendimentos.
O Conselho Monetário Nacional já reagiu: a partir de junho próximo, instituições excessivamente alavancadas terão de aplicar excedentes em títulos públicos, considerados de risco mínimo. A meta é fechar as brechas que permitiram ao Master crescer de R$ 36 bilhões para R$ 63 bilhões em apenas um ano, usando recursos de clientes atraídos por taxas fora do padrão de mercado.
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Crédito da imagem: G1
Fonte: G1