Tarifa café solúvel: EUA mantêm imposto de 50% ao Brasil
Tarifa café solúvel continuará em 50% para o produto brasileiro vendido nos Estados Unidos, mesmo após Washington suspender taxas extras sobre outras mercadorias, informou a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
Por que o solúvel ficou fora da redução?
Na quinta-feira (20), o governo americano retirou a sobretaxa de 40% para itens como café em grão, carne bovina e açaí. A medida não contemplou o café solúvel, que segue pagando a alíquota original de 10% somada aos 40% adicionais, totalizando 50%. Segundo a Abics, a exclusão contrasta com “o progresso geral nas negociações bilaterais” e impõe um ônus competitivo ao setor.
O produto representa cerca de 10% das exportações da cadeia cafeeira nacional. As vendas para o mercado norte-americano movimentam aproximadamente US$ 1,1 bilhão por ano e, de acordo com Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), ainda dependem de novas rodadas de diálogo com o Itamaraty e os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento para tentar reverter a cobrança.
Impacto econômico e próximos passos
Os Estados Unidos são o principal destino do café brasileiro, absorvendo 16% das vendas externas. Com a tarifa extra, as importações encolheram pela metade entre agosto e outubro de 2024. “É um desafio contínuo, mas as conversas avançam”, afirma Matos, que já tem reuniões marcadas com o chanceler Mauro Vieira em 28 de novembro.
Especialistas avaliam que a manutenção do imposto pressiona custos e pode reduzir margens de produtores e indústrias. Em análise publicada pelo Valor Econômico, economistas destacam que a taxa encarece o café solúvel brasileiro justamente quando a demanda por bebidas instantâneas cresce nos EUA.
Imagem: Reprodução/TV Gazeta
Apesar do revés, o governo brasileiro considera a retirada de tarifas para outros produtos um sinal positivo de que o diálogo com a Casa Branca está funcionando. A expectativa é de que futuros acordos incluam o solúvel, restabelecendo a competitividade plena do setor.
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Crédito da imagem: G1
Fonte: G1