Lei antidesmatamento da UE adiada para 2026
Lei antidesmatamento da UE ganha novo fôlego: os 27 países do bloco aprovaram adiar sua aplicação para o fim de 2026 e criar uma revisão programada para abril do mesmo ano, após pressão de Alemanha e Áustria.
Por que o prazo foi estendido?
O regulamento, considerado pioneiro por proibir a entrada de produtos como café, cacau, soja, óleo de palma e madeira produzidos em áreas desmatadas a partir de 2020, já havia sido postergado de 2024 para 2025. Agora, problemas na implementação do sistema de rastreabilidade – que exige cruzamento de dados de origem das mercadorias com mapas de satélite – motivaram nova dilatação. A Valor Econômico ressalta que a Comissão Europeia justificou o adiamento citando “dificuldades informáticas” e custos para empresas de menor porte.
Preocupações da indústria e de organizações ambientais
Setores do agronegócio no Brasil e nos Estados Unidos criticam a lei, argumentando que exigências adicionais podem aumentar custos e reduzir competitividade. Mesmo dentro da Europa, companhias pediram mais tempo para adaptar cadeias de suprimentos. Ainda assim, grupos como a italiana Ferrero – fabricante da Nutella – declaram já ter investido na conformidade e temem retrocessos.
Do lado ambiental, ONGs denunciam que o recuo mina a credibilidade climática do bloco às vésperas da COP no Brasil. Para Pierre-Jean Sol Brasier, da ONG Fern, os “sinais são desastrosos” porque o adiamento prolonga a chegada de incentivos econômicos para conservar florestas tropicais.
Imagem: Ibama
O texto ainda passará pelo Parlamento Europeu. Se aprovado sem alterações, exportadores brasileiros de comodities agrícolas terão até o fim de 2026 para comprovar, via geolocalização, que o cultivo não avançou sobre áreas desmatadas. Para acompanhar novas atualizações sobre políticas que afetam o agronegócio e consumidores, visite nossa editoria de Notícias e Promoções.
Crédito da imagem: G1
Fonte: G1