Fundo imobiliário HABT11: XP mantém postura cautelosa
Fundo imobiliário HABT11 volta aos holofotes após relatório da XP Investimentos que, apesar do dividend yield (DY) de 16,3% e do forte desconto em relação ao valor patrimonial, manteve a recomendação neutra por considerar elevado o risco de crédito no atual cenário de juros altos.
Dividendos atraentes, risco elevado
No documento enviado a clientes, a corretora reconhece a performance histórica do Habitat Recebíveis Pulverizados (HABT11), cujo retorno total desde a estreia chega a 78,3% — o equivalente a inflação (IPCA) mais 9,4% ao ano. Ainda assim, a instituição pondera que o prêmio em relação a outros FIIs não compensa totalmente a exposição a high yield, segmento que tende a sofrer mais em ciclos monetários restritivos e de desaceleração econômica.
Para sustentar o alerta, a XP lembra que títulos high yield costumam ter taxas maiores justamente porque carregam maior probabilidade de inadimplência. Nesse ambiente, mesmo um DY de dois dígitos pode não ser suficiente para compensar possível volatilidade ou perdas de capital.
Analistas de outros veículos, como o InfoMoney, também destacam a necessidade de avaliar a qualidade do lastro dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) antes de se deixar seduzir apenas pelo tamanho do dividendo.
Carteira concentrada e liquidez limitada
O portfólio do HABT11 tem 46% dos recursos alocados em multipropriedade, 31% em loteamentos e 20% em incorporações verticais. Além disso, 15,6% do patrimônio está em séries subordinadas de CRI e 2,9% em estruturas mezanino, camadas que assumem primeiro as perdas em caso de problemas nos empreendimentos. Essa combinação, segundo a XP, confere perfil mais arrojado ao fundo.
Outro ponto de atenção é a liquidez: com cerca de 60 mil cotistas e patrimônio líquido de R$ 768 milhões, o HABT11 negocia em média R$ 780 mil por dia. Ordens grandes podem, portanto, pressionar o preço de entrada ou saída.
Imagem: Imagem ilustrativa
Gestão ativa tenta mitigar riscos
De acordo com o relatório, a administração do fundo vem reciclando ativos para reduzir exposição a projetos considerados menos promissores. Em 2025, por exemplo, foram zeradas posições nos CRIs Lugano (4,8% do PL) e Allure (0,62%). Em abril, foi a vez de Natural Ville e Cumaru SP (1,94%). Mesmo assim, 15,2% do patrimônio segue alocado em operações fora dos parâmetros ideais de risco, embora mostrem evolução positiva.
A gestora também monitora 1,7% da carteira em CRIs com situação creditícia mais delicada. A expectativa é que o acompanhamento próximo e a estratégia de rotação de ativos ajudem a diminuir a probabilidade de inadimplência futura.
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Crédito da imagem: Seudinheiro
Fonte: Seudinheiro