Navio com 3 mil vacas à deriva pressiona Europa inteira
Navio com 3 mil vacas navega pelo Mediterrâneo em rota de volta ao Uruguai, após ter o desembarque negado na Turquia e sem garantias de comida, água ou cuidados veterinários para os animais – muitos deles prenhes.
Impasse na Turquia provoca o caos
A embarcação Spiridon II partiu de Montevidéu em 19 de setembro com 2.901 vacas destinadas à engorda e reprodução. Depois de um mês de viagem, chegou ao porto de Bandirma, onde fiscais turcos barraram a carga: 469 cabeças estavam sem os chips de identificação obrigatórios. O veto manteve o navio ancorado por mais de três semanas, período em que, segundo ativistas, ao menos 58 animais morreram por falta de ventilação adequada, superlotação e escassez de ração.
Com o estoque de água e comida no limite, o governo turco autorizou apenas um rápido reabastecimento. Sem acordo diplomático, o capitão recebeu ordem de retornar a Montevidéu, viagem que deve levar mais um mês. A Organização Não-Governamental Animal Welfare Foundation classifica a travessia como “viagem de morte”: metade do rebanho está prenhe, abortos se multiplicam e os 140 bezerros já nascidos quase não têm chance de sobrevivência.
Corrida contra o tempo na costa europeia
Localizado recentemente próximo à Líbia, o Spiridon II ainda deve permanecer cerca de uma semana em águas europeias. Por isso, a ONG lançou uma petição para que países da região acolham os animais antes que a situação piore. “A janela de oportunidade é mínima”, alerta a fundação.
Além do risco sanitário, há preocupação com a tripulação do cargueiro, que opera sem treinamento para lidar com bovinos debilitados. Relatórios de inspeção anteriores apontam mais de 80 falhas estruturais no navio, construído em 1973 e registrado sob bandeira de Togo. A pressão internacional cresce: reportagens como a publicada pelo CNN Brasil destacam que o caso expõe falhas sistêmicas na exportação marítima de animais vivos.
Imagem: Divulgação / Animal Welfare Foundation
Em Montevidéu, a chegada está prevista para 14 de dezembro. Ativistas temem que parte significativa do gado não resista ao trajeto. Caso o rebanho desembarque, o governo uruguaio deverá lidar com questões sanitárias, indenizações e eventuais sanções internacionais.
O episódio reforça o debate sobre a proibição internacional do transporte marítimo de animais vivos. Para acompanhar outros temas que impactam seu bolso e suas escolhas de consumo, visite também a página inicial da Nova Smiles e continue informado.
Crédito da imagem: G1
Fonte: G1