Hapvida HAPV3 despenca e analistas veem recuperação lenta
Hapvida HAPV3 perdeu R$ 6 bilhões em valor de mercado num único pregão depois que a gestora SPX reduziu sua fatia de 5% para 3,72%, desencadeando um tombo de 42,21% em 13/11. Mesmo com leve alta de 2% no fechamento de 19/11, o papel acumula queda de 44,57% no mês e 48,16% em 2025, acendendo o alerta dos investidores.
Troca de posições ampliou a volatilidade
O volume negociado somou 124 milhões de ações — 40% do free float — e movimentou R$ 2,1 bilhões, superando gigantes como Petrobras e Vale. Para Fernando Siqueira, da Eleven, a intensidade da venda parece exagerada, já que o resultado do 3T25, embora fraco, não justificaria queda próxima de 50%. Enquanto a SPX enxugava posição, a família do CEO Jorge Pinheiro comprou papéis e passou a deter 196,8 milhões de ações; a própria companhia também recomprou 20 milhões.
Custos elevados e sinistralidade desafiam 2026
Segundo o Itaú BBA, a Hapvida investiu pesado em novas unidades ao longo de 2025, adicionando R$ 82 milhões em despesas e mais R$ 100 milhões projetados para o próximo trimestre. O banco prevê que a margem demorará mais a reagir, já que a melhora na qualidade do serviço carrega custos adicionais. A sinistralidade médica subiu 1,4 p.p. no 3T25 sobre o ano anterior e, de acordo com Ágora e Bradesco BBI, deve seguir pressionada até o 1º semestre de 2026.
A concorrência também limita o repasse de preços. O Safra calcula perda de 0,34 p.p. de participação de mercado em 12 meses e cortou em 19% a projeção de Ebitda para 2026-2028. Mesmo a 8,6 vezes o Preço/Lucro estimado — bem abaixo da média de cinco anos de 30 vezes —, o banco mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 22,50.
Recomendações divididas: cautela no curto prazo
Ágora e Bradesco BBI reiteram compra com preço-alvo de R$ 27, citando potencial de alta de 58,8% frente ao último fechamento, mas alertam para a “fraca visibilidade” de recuperação. O Itaú BBA, ainda mais otimista, projeta R$ 66 até o fim de 2026, aposta embasada na percepção de que a reação do mercado foi desproporcional aos fundamentos.
Para compreender melhor o impacto dessa volatilidade nas carteiras, o CNN Brasil Business traz análises adicionais sobre o setor de saúde suplementar.
Imagem: Imagem ilustrativa
No longo prazo, o mercado reconhece que a operadora precisará equilibrar investimentos em expansão, controle de sinistralidade e estratégia de preços para voltar a crescer sem sacrificar margens. Enquanto isso, investidores monitoram de perto novas movimentações de acionistas relevantes.
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Crédito da imagem: Einvestidor.estadao
Fonte: Einvestidor.estadao