Fed dividido aumenta dúvida sobre corte de juros em dezembro
Fed dividido — a ata da última reunião do banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve) expôs um comitê sem consenso, preocupado com a inflação acima da meta de 2% e com sinais de desaceleração no mercado de trabalho. O documento, divulgado nesta quarta-feira, esfriou as apostas de que o primeiro corte de juros possa ocorrer já em dezembro.
Por que o Fed não bateu o martelo
De um lado, diretores argumentaram que a inflação ainda mostra resistência, especialmente em serviços, e que afrouxar a política monetária cedo demais poderia reacender pressões de preços. Do outro, integrantes alertaram para números mais fracos de criação de vagas e queda na confiança do consumidor, temendo que juros altos por muito tempo provoquem uma retração econômica maior que a desejada.
A divisão tornou-se mais explícita na discussão sobre a taxa dos Fed Funds, atualmente no intervalo de 5,25% a 5,50% ao ano, o mais alto desde 2001. Segundo a ata, alguns membros preferem esperar “dados adicionais” antes de sinalizar cortes, enquanto outros consideram que a política já é suficientemente restritiva.
Impacto nas projeções de mercado
Após a publicação do documento, casas de análise ajustaram seus modelos. Operadores de futuros na CME reduziram de 55% para 42% a probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual em dezembro. A mudança reflete a leitura de que o Fed quer ver vários meses de inflação convergindo à meta antes de alterar o rumo. Conforme destacou o Valor Econômico, nem mesmo a desaceleração do mercado de trabalho garante alívio imediato.
No câmbio, o dólar ganhou força, enquanto Treasury yields (títulos do Tesouro) de dois anos subiram, indicando maior prêmio de risco. Para o investidor brasileiro, um adiamento na queda de juros americanos tende a manter a pressão sobre o real e prolongar juros domésticos em níveis elevados, já que o Banco Central do Brasil costuma avaliar o diferencial de taxas para conter saída de capital.
Quer continuar acompanhando os movimentos que impactam seu bolso? Visite nossa editoria de notícias e fique por dentro dos próximos passos de bancos centrais ao redor do mundo.
Crédito da imagem: Exame
Fonte: Exame