ONU critica falhas na COP-30 e pressiona governo brasileiro
Falhas na COP-30 motivaram uma carta de três páginas da Secretaria da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC) ao governo Lula, exigindo correções na segurança e na infraestrutura do evento em Belém.
Segurança sob questionamento
No texto remetido na quarta-feira (12), o secretário-geral da UNFCCC, Simon Stiell, detalha a invasão da área restrita — a chamada Zona Azul — por manifestantes um dia antes. Segundo ele, forças de segurança brasileiras teriam recebido orientação para não intervir. O episódio expôs riscos a delegações e negociadores, forçando Brasília a prometer reforço imediato das barreiras de controle.
A carta, revelada pela Bloomberg e confirmada pelo Estadão, gerou reação rápida do Palácio do Planalto, que minimizou o tom da cobrança, mas reconheceu “ajustes operacionais em curso”. Para especialistas, lapsos de vigilância podem abalar a imagem do país na disputa por futuros fóruns internacionais.
Infraestrutura e clima interno
Além da segurança, Stiell menciona falhas de infraestrutura: pavilhões sem ar-condicionado, goteiras e problemas elétricos comprometeram o conforto de participantes. Delegados relataram salas abafadas, o que dificulta as já tensas rodadas sobre a Meta Global de Adaptação.
O governo do Pará informou que trabalha em “planos de contingência” para resolver vazamentos até o fim da semana. Organizações da sociedade civil lembram que o clima local é quente e úmido, e a falta de refrigeração adequada pode prejudicar a saúde de visitantes.
BID libera US$ 6 bilhões para financiar projetos verdes
Na tentativa de manter a agenda climática no centro das atenções, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou pacotes que somam US$ 6 bilhões (cerca de R$ 31,7 bilhões). O maior deles, de US$ 3,4 bilhões, oferecerá hedge cambial — proteção contra oscilações no dólar — a empresas que investirem em projetos sustentáveis. Outra iniciativa, o Reinvestir+, prevê comprar ativos verdes de bancos, liberando capital para novos financiamentos.
De acordo com Ilan Goldfajn, presidente do BID, se cada instituição multilateral mobilizar montantes semelhantes, “o efeito multiplicador será expressivo”. A avaliação é compartilhada por analistas ouvidos pelo Valor Econômico, que enxergam sinal positivo para o fluxo de capitais rumo à América Latina.
As próximas horas dirão se as melhorias prometidas pelo governo brasileiro serão suficientes para conter a pressão internacional. Para acompanhar outros desdobramentos e oportunidades que surgem em eventos globais, visite nossa editoria de Notícias e Promoções.
Crédito da imagem: Infomoney
Fonte: Infomoney