PIB 2025: governo corta projeção e vê inflação acima da meta
PIB 2025 deve avançar apenas 2,2%, segundo o Boletim Macrofiscal divulgado pelo Ministério da Fazenda, que também estima inflação de 4,6%, acima do teto de 4,5%.
Juro alto esfria atividade
A Secretaria de Política Econômica (SPE) atribui a revisão ao “alto patamar dos juros reais”. Com a Selic estacionada em 15% ao ano, o crédito fica mais caro, freando consumo e investimentos. A nova previsão mostra desaceleração frente ao crescimento de 3,4% registrado em 2024 e seria o menor avanço desde 2020, quando a economia encolheu 3,3% em meio à pandemia.
Para 2026, a Fazenda manteve a projeção de expansão em 2,4%, acima dos 1,5% estimados pelo Banco Central e dos 1,78% esperados pelo mercado. A pasta acredita que a política monetária ficará “menos contracionista” no ano que vem, ajudando a destravar empréstimos, especialmente em linhas habitacionais e crédito ao trabalhador.
Os números servem de base para a elaboração do Orçamento de 2026. Caso se confirme a menor arrecadação prevista, o governo poderá ter de bloquear mais despesas para perseguir a meta fiscal de déficit zero em pleno ano eleitoral.
Inflação ainda fora do alvo
Mesmo com o aperto monetário, a Fazenda reduziu a estimativa do IPCA de 4,8% para 4,6% em 2025, mas o índice segue acima do teto de 4,5% do novo sistema de meta contínua. A projeção considera a valorização do real, alívio nos preços no atacado e excesso de oferta global de bens. Para 2026, a pasta manteve a inflação em 3,6%, dentro da faixa de tolerância.
O Banco Central, porém, calcula que o IPCA só voltará a ficar abaixo do teto no início de 2026 e não vê o centro da meta de 3% sendo atingido até o primeiro trimestre de 2027. Esse cenário reforça o discurso da autoridade monetária de que um ritmo menor de crescimento, principalmente nos serviços, é parte da estratégia de combate aos preços.
Imagem: Imagem ilustrativa
Analistas ouvidos pelo Valor Econômico destacam que, enquanto a Selic permanecer elevada, a recuperação do PIB tende a ser contida, o que pode postergar a convergência da inflação.
Quer acompanhar mais novidades sobre crescimento econômico, juros e como esses temas impactam seu bolso? Visite nossa seção de notícias em Novas Smiles e fique por dentro.
Crédito da imagem: G1
Fonte: G1