Corte de juros pelo Fed anima bolsas globais; Ibovespa cai
Corte de juros pelo Fed entrou no radar dos investidores após o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, sugerir “espaço para novo ajuste” ainda este ano, mudando rapidamente o humor nos mercados internacionais.
Sinal de alívio monetário dispara Wall Street
Pela manhã, apenas 39% das apostas acompanhadas pela ferramenta CME FedWatch indicavam redução de 0,25 ponto na reunião de 9 e 10 de dezembro. Pouco depois do discurso de Williams, essa probabilidade saltou para 70%, encerrando o dia em 71,7%.
O reflexo foi imediato: o S&P 500 avançou 0,98%, aos 6.602,96 pontos, enquanto o Nasdaq subiu 0,88%, para 22.273,08 pontos. Ainda assim, ambos acumularam recuos semanais de 2% e 2,7%, respectivamente, pressionados pelo receio de bolha nas ações ligadas à inteligência artificial (IA). Nem mesmo o lucro recorde de US$ 31,9 bilhões da Nvidia afastou completamente a cautela.
Williams defendeu aproximar a taxa atual, de 3,75%-4%, do “nível neutro” – conceito que indica juro capaz de manter o crescimento sem reacender a inflação. Esse comentário bastou para reverter o mau humor que dominava a abertura dos mercados.
Segundo o Valor Econômico, a sinalização reacendeu a busca por ativos de risco, mesmo com volatilidade elevada.
Brasil nada contra a maré e dólar renova alta
Enquanto Nova York virou para o azul, o Ibovespa recuou 0,39%, fechando aos 154.770 pontos. O dólar comercial ganhou 1,18%, encerrando a sessão a R$ 5,4010. Investidores locais mantiveram o pé no freio diante das incertezas fiscais em Brasília.
O desconforto cresce após o presidente do Senado, David Alcolumbre, pautar para a próxima semana um “projeto-bomba” que concede aposentadoria especial a agentes de saúde, com impacto estimado em até R$ 800 bilhões em 50 anos. A medida amplia as dúvidas sobre a trajetória da dívida pública e eleva os prêmios exigidos para financiar o governo, o que pode obrigar o Banco Central a manter a Selic em patamar elevado por mais tempo.
Em um cenário de juros domésticos altos e risco fiscal crescente, a Bolsa brasileira andou na direção oposta às praças globais, reforçando a postura defensiva dos gestores.
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Crédito da imagem: Investnews
Fonte: Investnews