Redução de tarifas dos EUA corta custos do café e carne
Redução de tarifas dos EUA para quase 200 produtos alimentícios diminui de 50% para 40% a alíquota cobrada sobre itens como café, carne bovina, açaí e manga brasileiros, gerando alívio parcial para exportadores, mas mantendo dúvidas sobre competitividade.
O que mudou nas taxas e quem ganha espaço
A Casa Branca anunciou que a chamada tarifa de reciprocidade — sobretaxa criada em abril pelo presidente Donald Trump — foi reduzida em 10 pontos percentuais. Para o Brasil, isso significa pagar 40% em vez de 50% para vender ao mercado norte-americano. A medida abrange café torrado, cortes de carne bovina, frutas tropicais, sucos e fertilizantes.
Embora represente economia imediata, parte do setor considera a queda insuficiente. Países concorrentes, como Colômbia e Etiópia, zeraram as tarifas após negociações bilaterais e agora vendem aos EUA sem custo extra, fazendo com que o produto brasileiro ainda carregue um peso tributário maior.
Reação de exportadores de café, carne e frutas
O Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) alega que a diferença de 40 p.p. mantém o grão nacional em desvantagem. Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avalia o corte como “boa sinalização”, lembrando que os EUA são o segundo maior destino da proteína brasileira.
Entre as frutas, o alívio contempla banana, manga e açaí, mas deixa a uva fora da lista de exceções. A Abrafrutas alerta que o segundo item mais vendido pelo Brasil ao mercado norte-americano somou mais de US$ 40 milhões em 2024 e poderá perder espaço sem redução semelhante.
Impacto político e próximos passos
Em Brasília, o governo celebra o que chama de “virada diplomática”. O vice-presidente Geraldo Alckmin reconhece avanço, porém ressalta que “a distorção ainda precisa ser corrigida”. O Ministério da Agricultura estima que a parcela de exportações brasileiras livre de sobretaxa subiu de 23% para 26%, liberando cerca de US$ 10 bilhões em vendas anuais.
Trump evita prometer novas reduções e justificou a decisão pela escalada de preços internos do café, carne moída e banana nos EUA, que superaram a inflação geral. Analistas lembram que tarifas são apenas um dos custos; diferenças cambiais e de logística também contam.
Negociadores brasileiros pretendem insistir em acordos setoriais nas próximas reuniões com o representante comercial norte-americano Marco Rubio, visando zerar gradualmente a cobrança. Para os exportadores, cada ponto percentual faz diferença no “spread” — termo que indica a margem adicional cobrada sobre o preço original do produto.
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Crédito da imagem: G1
Fonte: G1