Cosan e Raízen registram prejuízo bilionário no 3T25
Cosan e Raízen fecharam o terceiro trimestre de 2025 com perdas que, somadas, ultrapassam R$ 3,4 bilhões, revertendo ou ampliando resultados negativos e acendendo o alerta para o mercado sobre endividamento e rentabilidade.
Por dentro dos números: lucros viram perdas
A holding Cosan (CSAN3) passou de lucro de R$ 293 milhões para prejuízo de R$ 1,1 bilhão. O maior vilão foi a equivalência patrimonial – linha que reflete o desempenho de empresas investidas –, negativa em R$ 482 milhões. Esse recuo de R$ 1,4 bilhão frente a 2024 se deve, segundo a companhia, à menor contribuição do segmento de etanol, açúcar e bioenergia da Raízen e ao impairment (ajuste de valor contábil) de ativos colocados à venda.
Mesmo com a queda de 48% nas despesas gerais e administrativas, para R$ 67 milhões, o resultado financeiro ficou pior: déficit de R$ 858 milhões, contra R$ 521 milhões um ano antes, impactado pelos juros mais altos.
A dívida líquida da Cosan recuou de R$ 21,7 bilhões para R$ 18,1 bilhões, mas a alavancagem (dívida líquida dividida pelo Ebitda, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subiu de 2,5x para 3,7x porque o Ebitda das controladas encolheu.
Na Raízen (RAIZ4), o prejuízo saltou de R$ 158 milhões para R$ 2,3 bilhões. O Ebitda encolheu 39,7%, a R$ 2,787 bilhões, enquanto a receita líquida caiu 17,8%, para R$ 59 bilhões. O índice dívida líquida/Ebitda ajustado subiu de 2,6x na safra anterior para 5,1x.
Mercado reage e mudanças na gestão
Na sexta-feira (14), as ações da Cosan avançaram 0,66%, cotadas a R$ 6,14, mas acumulam perda anual de 45,7%. Já os papéis da Raízen recuaram 1,15%, a R$ 0,86, somando queda de mais de 64% em 2025.
Horas antes da divulgação dos balanços, as duas companhias anunciaram troca de executivos. Na Cosan, Rodrigo Araujo Alves deixou o cargo de diretor financeiro, que será ocupado por Rafael Bergman a partir de 5 de dezembro. No conselho, saem quatro membros e entram, entre outros, André Santos Esteves como vice-presidente.
Imagem: Imagem ilustrativa
Na Raízen, Bergman renunciou ao posto de CFO e será substituído por Lorival Luz, executivo com três décadas de experiência em bancos, energia e alimentos.
Perspectivas e próximos passos
A Raízen afirma que segue focada em simplificação, eficiência operacional e alongamento de dívidas, substituindo linhas de curto prazo por instrumentos mais baratos e longos. Já a Cosan tenta ganhar fôlego diante do Ebitda menor de suas controladas e da dúvida do mercado sobre como apoiar a desalavancagem do grupo.
Para analistas, a velocidade de execução desses planos será crucial para conter a alavancagem e reconquistar investidores. Como destaca o Valor Econômico, a pressão sobre margens no setor sucroenergético exige disciplina financeira e ajustes rápidos.
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Crédito da imagem: Seudinheiro
Fonte: Seudinheiro