Tributação de dividendos: empresas podem antecipar pagamentos
Tributação de dividendos prevista no Projeto de Lei 1.087/2025, que cria retenção de 10% sobre valores acima de R$ 50 mil mensais a partir de 2026, já provoca movimentação nas empresas listadas em Bolsa. Analistas veem espaço para anúncios de proventos extras ainda em 2025, numa tentativa de blindar os acionistas da nova cobrança.
Como a possível mudança de regra afeta os investidores
O texto do PL aguarda apenas a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caso sancionado, todo dividendo declarado a partir de 1.º de janeiro de 2026 ficará sujeito ao novo imposto. Por isso, companhias com grande reserva de lucros podem acelerar seus cronogramas de distribuição agora, quando a alíquota ainda é zero para a pessoa física.
Dividendos são parcelas do lucro que as empresas repassam aos acionistas. Hoje, esse rendimento chega limpo à conta do investidor. A taxação de 10% diminuirá o valor líquido recebido, cenário que tende a levar parte das companhias a soltar comunicados extraordinários até dezembro de 2025.
Axia Energia e Itaú lideram a lista de possíveis antecipações
De acordo com o analista Ruy Hungria, da Empiricus Research, Axia Energia (AXIA6) e Itaú Unibanco (ITUB4) despontam entre as candidatas a reforçar a remuneração ao acionista. O banco possui balanço robusto mesmo em cenários econômicos adversos, enquanto a ex-Eletrobras atravessa um processo de recuperação operacional (turnaround) e já anunciou R$ 4,3 bilhões em proventos neste mês, sinalizando novas distribuições em breve.
Segundo Hungria, os pagamentos extras podem superar 10% do valor de mercado de algumas companhias, o que tende a gerar reprecificação positiva das ações no curto prazo. Esse movimento pode beneficiar investidores que buscam renda passiva, principalmente quem utiliza dividendos como complemento de orçamento.
Não são apenas Axia e Itaú que avaliam essa estratégia. Diversas empresas com caixa folgado estudam medidas semelhantes. A expectativa é de um calendário carregado de anúncios no último trimestre de 2025, quando o efeito da tributação estará cada vez mais próximo. A tese de antecipação também foi citada por outros especialistas em entrevista ao Valor Econômico.
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Para o investidor pessoa física, a recomendação é acompanhar de perto o cronograma de assembleias e datas de corte (ex-dividend) para não perder o direito ao pagamento. A alocação em empresas sólidas, com histórico consistente de lucros, ajuda a mitigar riscos caso a antecipação não se concretize.
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Crédito da imagem: Empiricus
Fonte: Empiricus