MOTV3: Motiva vende 20 aeroportos por R$ 11,5 bi à vista
MOTV3 registrou um dos maiores desinvestimentos do setor de infraestrutura ao confirmar a venda de 20 aeroportos – 17 no Brasil e três na América Latina – para o grupo mexicano ASUR por R$ 11,5 bilhões, pagos integralmente em dinheiro no fechamento do negócio.
Negócio bilionário fechado
Anunciada na noite de 18 de junho, a transação representa perto de um terço dos R$ 32 bilhões de valor de mercado da Motiva. O montante engloba ainda a assunção de R$ 6,5 bilhões em dívida líquida. A companhia projeta concluir a operação em 2026, após receber o aval de órgãos regulatórios no Brasil, como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e de autoridades concorrenciais internacionais.
Durante conferência com analistas, a diretoria destacou cinco razões para o desinvestimento: destravamento de valor com múltiplos superiores aos da empresa, simplificação do portfólio, maior flexibilidade para investir em rodovias e mobilidade urbana, redução do endividamento e queda no custo de capital por se desfazer de um ativo de risco mais elevado.
Mercado reage com cautela
Apesar do tamanho da cifra, o movimento era amplamente esperado. Na abertura do pregão seguinte, as ações chegaram a cair quase 3%, mas fecharam próximas da estabilidade, subindo 0,51%, a R$ 15,95, enquanto o Ibovespa recuou 0,61%. Para o BTG Pactual, o preço pago – equivalente a 8,5 vezes o EV/Ebitda – já estava embutido na cotação do papel.
Segundo relatório do banco, o acordo foi fechado a múltiplos acima dos 6,1x negociados pela Motiva, mas em linha com o padrão do setor. O Safra compartilha a visão e aponta que a empresa sai desse negócio mais enxuta e preparada para focar concessões rodoviárias e ferrovias de maior retorno.
Ambas as instituições reiteraram recomendação de compra. O BTG mantém preço-alvo de R$ 17 (upside de 6,9% ante o fechamento de 18/6), enquanto o Safra projeta R$ 18,80 para 2026, potencial de 18%.
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O efeito mais imediato é a desalavancagem: a carteira de ativos cairá de 37 para 17 projetos no Brasil, abrindo espaço para margens melhores e eventual redução de impostos. Por ora, os analistas não esperam aumento no payout, já que a empresa deve direcionar caixa às novas licitações – entre elas Fernão Dias e Renovias.
Para entender por que grandes vendas nem sempre impulsionam cotações, vale a leitura da análise do Valor Econômico, que destaca a precificação prévia pelo mercado.
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Crédito da imagem: Seudinheiro
Fonte: Seudinheiro