Bitcoin vive pior mês desde FTX e pressiona Wall Street
Pior mês do bitcoin desde o colapso da FTX assusta investidores: a moeda tocou US$ 80.500 na sexta-feira (21) e já perdeu cerca de US$ 500 bilhões em valor de mercado em poucas semanas, arrastando praticamente todo o universo de criptomoedas.
Saques recordes nos ETFs ampliam o tombo
Diferentemente de 2022, o grande vilão agora são os Exchange Traded Funds (ETFs), fundos listados em bolsa que replicam o preço do ativo. Os 12 ETFs de bitcoin, novidade deste ciclo, registraram retiradas de bilhões de dólares apenas em outubro, segundo dados compilados pela Bloomberg. Entre os resgatantes estão endowments universitários de peso, como Harvard, além de hedge funds. Quando esses investidores institucionais rebalanceiam suas carteiras, vendem sem hesitar — o oposto da estratégia “hold” típica dos entusiastas cripto.
Até companhias de capital aberto criadas para simplesmente comprar e guardar tokens viram o mercado questionar se faz sentido pagar um “prêmio” por ações lastreadas apenas em bitcoin. Esse movimento lembra a euforia pré-quebra da Terra/Luna, em 2022.
Para Fadi Aboualfa, da Copper Technologies, a dinâmica mudou: “Gestoras tradicionais não seguram o ativo a qualquer custo”. O resultado é um efeito dominó difícil de conter, reforçado pela baixa liquidez.
Flash crash expõe fragilidades de liquidez e alavancagem
O único gatilho claro foi o flash crash de 10 de outubro, quando US$ 19 bilhões em posições alavancadas foram liquidadas em poucas horas. Alavancagem é o uso de dinheiro emprestado para multiplicar ganhos — ou perdas. Nos fins de semana, a liquidez (facilidade de comprar ou vender sem distorcer preços) some porque vários market makers — formadores de mercado — reduzem suas operações, deixando cotações vulneráveis.
Analistas do Cantor Fitzgerald calculam que o impacto foi subestimado e que players relevantes podem estar sendo forçados a vender. A Coinglass estima outras liquidações de US$ 1,6 bilhão apenas na sexta-feira pós-crash.
A queda também feriu a narrativa de “ouro digital”: enquanto o ouro físico sustentou valor, o bitcoin voltou a se comportar como ativo de risco puro, oscilando ao ritmo das ações de tecnologia. A Nomura citou a volatilidade cripto como um dos fatores para a maior reversão intradiária do S&P 500 desde abril.
Para completar, empresas que adotaram o rótulo de “tesouraria cripto” — algumas vindas de setores tão distantes quanto o de dispositivos médicos — agora são comparadas a companhias superalavancadas de 2022, alerta Adam Morgan McCarthy, da Kaiko.
Segundo o Valor Econômico, o mercado monitora se novas quedas podem provocar vendas ainda maiores nos ETFs, testando a exposição de Wall Street ao bitcoin. Se isso ocorrer, a volatilidade tende a contagiar outros ativos de risco.
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Crédito da imagem: Investnews
Fonte: Investnews