BHP condenada em Mariana; Vale (VALE3) reserva US$ 500 mi
Desastre de Mariana ganha novo capítulo: a Alta Corte da Inglaterra declarou a BHP responsável pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015 em Mariana (MG). Pela decisão, a Vale (VALE3) precisará arcar com parte das futuras indenizações e, por isso, anunciou provisão adicional de cerca de US$ 500 milhões nos balanços de 2025.
Responsabilidade compartilhada pesa no caixa da Vale
Em julho de 2024, Vale e BHP assinaram acordo confidencial estabelecendo responsabilidade compartilhada — 50% para cada empresa — sobre qualquer valor que venha a ser condenado em processos fora do Brasil. Assim, mesmo sendo a BHP a ré no processo inglês, metade da conta recairá sobre a mineradora brasileira.
Somada à nova provisão, a Vale já contabiliza US$ 2,401 bilhões destinados ao Acordo Definitivo firmado no Brasil. Esse pacto, fechado em outubro de 2024, prevê desembolsos de até US$ 32 bilhões (R$ 170 bilhões) para reparar danos ambientais e sociais causados pelo desastre.
Próximas etapas judiciais e impacto financeiro
A sentença da Alta Corte ainda cabe recurso por parte da BHP. Um segundo julgamento, programado para iniciar em outubro de 2026 e seguir até o segundo trimestre de 2027, definirá se a BHP efetivamente causou os prejuízos apontados e avaliará valores genéricos dessas perdas. Somente depois, em eventual terceira fase, serão calculadas indenizações específicas para cada reclamante.
Embora a companhia considere o montante de US$ 500 milhões “pequeno” diante do que já foi provisionado, o valor reforça o cuidado exigido dos investidores: provisões afetam resultado contábil, reduzem lucro e, consequentemente, podem pressionar pagamento de dividendos.
Segundo comunicado, desembolsos futuros seguem alinhados às projeções divulgadas no balanço do 3º trimestre de 2025. A mineradora também destacou que renúncias assinadas por pessoas já indenizadas no Brasil foram reconhecidas pela Justiça inglesa, o que pode diminuir o número de reclamantes internacionais.
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Os investidores devem monitorar a evolução das ações judiciais e o cronograma de pagamentos: cada ajuste nas provisões indica como a Vale precifica seus riscos e preserva liquidez.
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Crédito da imagem: Seudinheiro
Fonte: Seudinheiro