Modelo multiestratégia: Ray Dalio prevê fim em breve
Modelo multiestratégia de hedge funds, tão popular em Wall Street, pode não atravessar as próximas décadas, segundo o gestor bilionário Ray Dalio. Para o fundador da Bridgewater Associates, esse formato é eficiente para entregar resultados, mas falha em criar negócios duradouros de 50 anos.
Crescimento acelerado e retornos consistentes
Nos últimos anos, fundos como Millennium Management, de Izzy Englander, e Citadel, de Ken Griffin, expandiram-se com carteiras que ultrapassam US$ 70 bilhões, distribuindo capital entre dezenas de equipes independentes que operam em nichos diversos — de ações a energia. Esse desenho gera retornos mais estáveis, mesmo em cenários de juros baixos, atraindo investidores e inspirando gestores veteranos, como Bobby Jain e Michael Gelband, a lançar estruturas semelhantes.
O sucesso chamou atenção de reguladores. A elevada alavancagem e o risco de vendas forçadas colocam o modelo sob escrutínio, como apontou recentemente o Valor Econômico. Ainda assim, muitos consideram o formato um porto seguro em mercados voláteis.
Pontos fracos na visão de Dalio
Para Dalio, a principal fragilidade é humana. Como as equipes funcionam praticamente como “mini-fundos” isolados, a coesão cultural se perde. “Relacionamentos profundos sustentam negócios longevos”, afirmou ele em entrevista ao podcast Odd Lots. Sem uma missão compartilhada, acrescenta, torna-se difícil reter talentos e manter competitividade no longo prazo.
O gestor de 76 anos sabe do que fala: criou a Bridgewater em 1975 em um apartamento de dois quartos e a transformou em um dos maiores hedge funds do mundo. Embora tenha se afastado do comando em 2022 e vendido sua participação remanescente neste ano, o fundo macro da casa acumula alta de 26,4% nos nove primeiros meses de 2023, a melhor desde 2010.
Imagem: Imagem ilustrativa
Apesar das críticas, Dalio admite que o multiestratégia “pode ser perfeitamente aceitável” para gerar retorno no curto prazo. A dúvida, porém, é se sobreviverá por meio século, algo que, segundo ele, depende menos de tecnologia e mais de laços humanos.
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Crédito da imagem: Investnews
Fonte: Investnews