COP30 foca em florestas e adia debate sobre petróleo
COP30 encerrou-se com a promessa de triplicar o financiamento climático até 2030 e a criação de um fundo para manter florestas em pé, mas o texto preliminar evita qualquer referência à redução do uso de petróleo, frustrando parte dos países participantes.
Mais dinheiro, poucas garantias
O principal avanço foi a proposta de mobilizar até US$ 1,3 trilhão por ano, acima dos US$ 300 bilhões definidos na COP29, para obras de adaptação – como reforço de edifícios contra tempestades ou sistemas urbanos para enfrentar ondas de calor. O Artigo 9.1 do Acordo de Paris obriga as nações ricas a bancar parte desse custo, mas o documento não deixou claro quem colocará o dinheiro: governos, bancos de desenvolvimento ou o setor privado. Essa indefinição preocupa países emergentes, que buscam segurança de fluxo financeiro para projetos vitais.
Fundo Florestas Tropicais para Sempre
Em Belém, o Brasil lançou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), título de renda fixa que remunerará quem conservar biomas tropicais. Já há aportes anunciados de Alemanha (1 bilhão de euros), Noruega (US$ 3 bilhões), Brasil (US$ 1 bilhão), Indonésia (US$ 1 bilhão) e França (US$ 500 milhões). O objetivo é chegar a US$ 25 bilhões públicos e alavancar mais de US$ 100 bilhões privados. Para o secretário-geral da ONU, António Guterres, trata-se de “tornar árvores em pé mais valiosas que áreas desmatadas”.
Petróleo fora do rascunho
Apesar de 80 países defenderem um “mapa do caminho” para cortar combustíveis fósseis – promessa feita na COP28 –, o rascunho liderado pelo Brasil não menciona petróleo. Arábia Saudita e outros produtores bloquearam o tema, segundo negociadores ouvidos pela G1 Economia. O texto ainda precisará de consenso final, mas a omissão gerou críticas de ambientalistas e da própria ministra Marina Silva, que considera insuficiente discutir apenas adaptação sem atacar as causas do aquecimento global.
Imagem: ANTONIO SCORZA
A COP30 também enfrentou problemas práticos: falhas de infraestrutura, falta de comida e até um incêndio na Zona Azul, área que concentra pavilhões nacionais. Mesmo assim, a expectativa é que os acordos de financiamento avancem nos próximos meses. Quer acompanhar outras novidades e oportunidades que impactam o seu bolso? Visite nossa seção de notícias e promoções e fique por dentro.
Crédito da imagem: Seudinheiro
Fonte: Seudinheiro